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Coluna de Guiomar Terra dos Santos - PARA SEMPRE - Jornal A Notícia
10/05/2018 às 14:35
PARA SEMPRE

Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
é tempo sem hora.
Luz que não apaga,
quando sopra o vento chuva desaba.
Veludo escondido
na pele enrugada.
Água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
-mistério profundo-
De tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

É um poema cujo tema central é a não aceitação da morte das mães, traduzido no lamento questionador: “Por que Deus permite que as mães vão-se embora?”.
Mãe não pode morrer nunca. Não é um ser comum, um ser qualquer que passe “sem deixar vestígio”. Mãe deixa marcas profundas no coração de seus filhos. Faz-se eterna em seu amor sem limites. Seu pensamento está com seus filhos todos os minutos, todas as horas, todos os dias, todas as noites, como já cantou Adoniran Barbosa: “Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar”.
“Mãe é água pura, ar puro, puro pensamento”. Filhos precisam das mães, como precisam do ar que respiram, da água que bebem. Quando crianças, têm dependência total. O ritmo da vida e o tempo separam mães e filhos, mas o cordão umbilical, mesmo cortado, é laço que permanece vivo, mesmo invisivelmente, a nutrir a alma com o conselho vindo de sua sabedoria, a luz de sua prece, fazendo promessas, comungando anseios, sonhos, esquecidas de si. “Luz que não se apaga, quando sopra o vento e chuva desaba”.
Mãe é graça divina corporificada numa mulher. Um mulher que tudo sabe, sem que nunca alguém lhe tenha ensinado. Todas as mães já nascem sabendo cantigas de ninar, bailados de embalo, dissolver carinho na água como chá, banhá-los com ternura e nutri-los da necessária fantasia, coragem e esperança para crescidos enfrentar a vida.
Gostaria que Drummond fosse Rei do Mundo e baixasse uma lei: “Mãe não morre nunca”. Assim, todos os filhos, mesmo crescidos, teriam o refúgio de um colo macio. Macio porque mãe tem seda dentro de si. E veludo é seda por baixo e pelo macio por fora. Todos então teríamos o refúgio de um colo macio, quando nos doesse a vida. E ali, ficaríamos, escondidinhos, “feito grão de milho” se aquecendo para germinar, crescer, frutificar.
As mães merecem todas as homenagens, todos os dias. Quero aqui, homenagear Dona Rose Ortaça, que com o Beto enfermo, ficou ao seu lado no hospital, durante cinco meses, sem nunca se afastar, sem nunca vir para casa buscar uma roupa que fosse para vestir, sem dizer um ai de cansaço, e só voltando quando pode trazer o Betinho consigo. Assim são as mães.
Tudo o que o mundo precisa é de mais colo. Meu beijo, mães!


 

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