19/06/2017 às 17:14
“A corrupção é o cupim da República”

O título deste artigo reproduz a frase célebre de Ulysses Guimarães, em 5 de outubro de 1988, na promulgação da Constituição Brasileira, que já tem mais de 25 anos de vigência. Aliás, o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte foi mais longe em seu histórico discurso, quando disse “A moral é o cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”.
Penso que essa citação se ajusta como luva ao que hoje acontece no Brasil. É por demais lamentável e vergonhoso acompanhar os noticiários da política nacional. A impressão que se tem é de que a República esteja tão tomada de cupins a tal ponto que o povo não aguenta mais. Não acredita mais em nada ou em ninguém.
Até mesmo membro do poder judiciário – que afinal tem a função precípua de julgar os atos dos demais poderes – está recebendo uma saraivada de críticas pelo comportamento nada imparcial que adotou ultimamente e, segundo seus críticos, sem a independência que deve caracterizar a atuação dos que têm a atribuição de julgar.
Além disso, o executivo e o legislativo viraram balcões de negócios, as “Organizações Tabajara”, num “toma lá da cá” que assusta e enoja. Parece que a lógica do governo se restringe agora ao bordão “Me ajuda que eu te ajudo”.
Fico então a imaginar o que poderá ocorrer em 2018 quando o povo for às urnas? Duas coisas poderão acontecer: uma enxurrada de votos brancos e nulos somada a uma enorme abstenção constituída pelo desinteresse e/ou desilusão dos eleitores. E a segunda possibilidade seria o grande perigo de surgir um salvador da pátria que receberia apoio popular como forma de protesto ou desesperança.
Assim, é preciso pensar, e muito: o cupim tomou conta do centro do poder e pode ser devastador...
 

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