The Night Flight Orchestra: ópera Sci-fi feminista regada à sonoridade dos anos 70/80
Pouco mais de um ano depois de seu terceiro álbum, “Amber Galactic” (de 2017, o qual inclusive lhes valeu uma nominação no Grammy sueco), o The Night Flight Orchestra volta com mais um disco, “Sometimes the World is Ain Enough”. A banda nasceu da paixão em comum dos músicos Björn Strid (vocais) e David Andersson (guitarras) pelo Classic Rock, a dupla percebeu que havia um vazio a ser explorado na cena musical de hoje em dia, resolveram então colocar pra fora essas inspirações, sem grandes pretensões comerciais, mas a cada álbum vem conquistando mais e mais fãs.
Com sua sonoridade cativante, trazendo as influências do que era feito a partir da metade dos anos 70 e na década de 80, os suecos colocam no seu caldeirão musical o Classic Rock, AOR, Progressivo e até Disco, Black Music e Pop Rock. São vários hits instantâneos, como as duas primeiras faixas, já citadas acima, e algumas outras que também se sobressaem, ressaltando que é um álbum que dá vontade de ouvir sem pular nenhuma, mas preciso destacar “Lovers in the Rain”, Melodic Rock absolutamente contagiante, com grande potencial radiofônico, e além dela, as também ótimas “Be That Bad”, “Barcelona”; e a progressiva “Last of the Independet Romantic” que tem uma certa veia de Kansas. Realmente, eles encontraram o ponto perfeito, e possuem talento inegável para forjar excelentes melodias, e fazem com criatividade e entusiasmo.
Encerrando esta matéria, transcrevo aqui trecho da entrevista de David Andersson para o Decibel Magazine, onde ele, entre outras coisas, falou sobre o conceito dos dois últimos álbuns (que seriam uma espécie de Sci-Fi Feminist Space Opera), e também sobre algo bem preocupante na sociedade atual, que inclusive estamos vivenciando aqui no Brasil, que é a intolerância. Confira abaixo:
“Há um conceito por trás de Amber Galactic e Sometimes the World Ain’t Enough”, que é uma ópera espacial com uma agenda feminista. Eu sempre sonhei em fazer álbuns baseados no espaço e ficção científica, e mesmo que não seja um álbum conceitual no verdadeiro sentido da palavra, é baseado em um conceito ideológico com sci-fi e conotações futuristas.
Eu sempre acreditei que as mulheres são um gênero superior e espero que, eventualmente, elas, juntamente com a comunidade LGBT, sejam as líderes do mundo. O livro The Spirit Level, de Wilkinson and Pickett, de 2009, mostra estudos bastante convincentes sobre como os níveis de igualdade em uma sociedade são um fator preditivo independente quando se trata de como a sociedade prospera em vários níveis. E se você olhar para universidades na Suécia e em muitos outros lugares, hoje em dia há uma maioria de mulheres nos programas de alto status, como direito, medicina, etc. Ao mesmo tempo, há forças poderosas no mundo atualmente que querem regressar a um paradigma masculino heterossexual branco, muito conservador e intolerant”.
Este e o álbum anterior foram lançados no Brasil pela gravadora paulista Shinigami,



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