27/10/2018 às 08:36
APERTE O PLAY - Carlos Garcia

“Tem alguma coisa te iludindo? Não é isso que você esperava? ”

 

Pertinho da ópera rock “The Wall”, do lendário grupo inglês Pink Floyd, completar 39 anos (foi lançada em 30 de novembro de 1979), o baixista, vocalista e compositor Roger Waters retornou ao Brasil para diversos shows, e agora, na próxima semana, dia 30 de outubro, chega a vez do Rio Grande do Sul conferir o espetáculo de som, imagem e luz proporcionado pelo músico e toda sua estrutura gigantesca.

Na tour “Us + Them”, Roger apresenta clássicos de diversos álbuns do Pink Floyd, bem como de sua carreira solo, e certamente, entre os momentos mais esperados, estão as músicas dos principais e mais bem sucedidos álbuns de Roger com seu antigo grupo, “Dark Side of the Moon” e “The Wall”. O fã atento deve ter percebido a referência no título, que é parte das frases iniciais da ópera “The Wall”, e é desse álbum que escolhi falar nesta coluna, trazendo aqui um pouco a respeito dessa obra, alguns fatos e curiosidades.

O álbum foi pensado por Roger para o formato ópera rock, e é uma história praticamente autobiográfica, pois o personagem principal da história, Pink, foi um garoto que perdeu o pai na guerra, assim como o próprio Waters. Somos conduzidos pela narrativa que conta a história de Pink, desde sua infância, onde ele lamenta não ter lembranças de seu pai, passando pela, provavelmente mais conhecida faixa do álbum, “Another Brick on the Wall Part II”, que inicia com o som do helicóptero, e traz frases memoráveis como “We dont" need no education...We don’t need no thought control... Hey, Teacher, leave them kids alone” (Nós não precisamos de educação...Nós não precisamos de controle mental....ei, professora, deixe os garotos em paz.), que simboliza a repressão sofrida pelos professores, o interesse de que não sejam criadas cabeças pensantes e livres.

Como toda grande obra, “The Wall” permanece incrivelmente atual. Prosseguindo com a história, o personagem, que foi criado por uma mãe superprotetora (narrado na balada “Mother”), cresce e vai criando em torno de si um muro, uma parede. Os tijolos dessa parede subjetiva, são as dificuldades e traumas que Pink vai acumulando, e vai se transformando numa figura isolada, culminando numa espécie de ditador. Mas tem muito mais, não sendo possível passar aqui neste espaço toda a história completa. Há muitas mensagens, e é natural também cada ouvinte se identificar ou interpretar de formas diferentes. Um trabalho digno de ser chamado de obra de arte. A história também virou filme, dirigido pelo diretor britânico Alan Parker (“Coração Satânico”, “Mississipi em Chamas” e “O Expresso da Meia Noite”, entre outros). O álbum, duplo, vendeu mais de 23 milhões de cópias, sendo o segundo mais vendido da banda e o terceiro mais vendido na história nos EUA. Finalizando, algumas das grandes mensagens do álbum, são de que podemos mudar nossa vida, sermos livres, derrubar as paredes que nos rodeiam, e de que somos responsáveis pelas escolhas que tomamos, ou por nossa omissão.

 

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